sexta-feira, 20 de março de 2009

O ritual da Inteligência sem amor


De aparência serena/
fragmentado em muitas faces/
É a descrição que faz de si mesmo.
Elétrico/
evidenciado.
Sempre tentando nivelar num sino ritualizado/
cumprimento de suas obrigações.
Capaz de ser mais certo que os mistérios/
catalogando e calculando tudo num rítimo infreável.
Através dos fatos cerimoniados/
razão da caminhada(...)
O homem que caminha assim está fora do tempo/
além de sua capacidade de frear.
Uma listagem sequêncial de acontecimentos detalhadamente
Exuberante dentro de sua própria criação/
com o seu gênio/
silencioso. o impede/
Visão de uma caminhante(...)
Curiosamente abstrata!
O relâmpago passa/
o que pouco diferencia de mim.
``(...)Através dos fatos e da razão caminha"/
-Sua mente-
sua figura para mim é curiosamente muito abstrata.
Está é a visão de um de um homem paradoxal/
Migrando milagrosamente numa simples viagem/
/maquete de inteligência humana/
"É maravilhoso e improvável o que é impossível"
viver sem prazer.

segunda-feira, 16 de março de 2009

DESENLACE HISTÓRICO


Toda solene noite possui um grande homem/
de traços marcantes/
hemisfério de incertezas/
num desenlace histórico e decisivo(...)
existência quadrada/
imprevisivel/
fechado.
Portaria do inverso/
interação dificultosa/
indiferente/
fantasiosa.
Cai sobre pedras e ervas daninhas/
Lamparinas baratas que iluminam minha história/
num ar seco de verão prematuro/
quadrada existência.
Fusão de si mesmo/
permanencia de incertezas/
polaridades.

Maria de Fátima Borges magalhães

domingo, 15 de março de 2009

A Porta


As portas são muito importantes em nossas vidas
é delas que saímos
e entramos na vida das pessoas
por elas passamos quando sentimos prazer em estar ali
Eu amo as portas
elas me dão prazer intenso de
abrir e fechar
sempre que estou a procura de algo importante
me abrem e fecham no prazer da satisfação
de cada dia vencido
o intenso gozo de ter conseguido
...
a porta...
passei por várias
prazer sentido por uma porta
só quem passou por várias sabe o que é.
uma porta aberta
ou fechada
[...]
uma porta
um espaço
uma vitória
sensação emocionante.
passar por uma porta fechada ou aberta.

Mar de Desejos



(...)Desejos do prazer que arde
a cada minuto apertado
sentido
no prazer da hora que embora
passastes
agora no fogo das águas límpidas
em seu corpo nu
me envolvo suada só no pensar
quão arderão despir-nos
a noite
sua boca molhada
tertúlias de desejos(...)


sábado, 14 de março de 2009

Desejo


Meu desejo
seus lábios
seu sorriso(...) me alegra
um sorriso seu
me completa
desloca
coloca em suspensão
numa tentação fluorescente
fracionada de bocas
e olhos
sem regras
um brilho intenso
seu sorriso(...)
clareia minhálma num curato cimeiro
seu sorriso (...)
sua boca
luminosa
me segura
seda -me
me enlouquece
de desejo.

quinta-feira, 12 de março de 2009

VIDA


Vida(...),
não para de passar.
enorme loucura,
festivais sujeitos a serem reais.

terça-feira, 10 de março de 2009

UM HOMEM E A REALIDADE


Certamente já vivi uma vida de alegria contigo
homem compacto
deliberadamente estabelecido em aparências(...)
incitado porém reafirmado-(...)-,
certamente já vivi uma vida de alegria contigo.

Passos largos
rápidos
olhar firme
se transforma em moldura
com detalhes minuciosos

Modelo singular
sem qualquer risco
Sem demonstrar nenhuma vontade de indultar-me
ou a si mesmo(...)
Vai embora sem nenhuma citação
Sem saber se possui o bem da terra
movimentos juntados em seu corpo
são filtrados em si mesmo
em linhas silenciosas...sem sentimentos
reais.

segunda-feira, 9 de março de 2009

FICA COMIGO ESTA NOITE



Pobre pássaro
tu que cantas para mim todos os dias,
sem fantasias
grandiosa poesia
alegria em dias pardos
uma multidão de luzes
e- pensamentos estavam lá-(...).

Confissão


esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama

sinto muita pena de
minha mulher

ela vai ver este
corpo
rijo e
branco

vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:

“Henry!”

e Henry não vai
responder.

não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.

no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado

e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas

e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:

eu
te amo.


Um poema de amor

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.


todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

CHARLES BUKOWSKI

sábado, 7 de março de 2009

GEOGRAFIA DA FOME


"Xiquexique, mucunã
Raiz de imbu e colé
Feijão brabo, catolé
Macambira, imbiratã
Do pau-pedra e caimã
A parreira e o murão
Maniçoba e gordião
Comendo isso todo dia
Incha e causa hidropsia
Foge, povo do setão"


"Marchemos a encarar
Trinta mil epidemias
Frialdade, hidropsia,
Que ninguém pode escapar.
Os que vão para o brejo vão
Morrem de epidemia
Sofrem fome todo dia
Os que ficam no sertão"

Josué de Castro
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