Por Luciana Medeiros, do blog Holofote Virtual
Em véspera de feriado, principalmente quando este cai no meio da semana, os bares costumam lotar. Mas nesta quarta-feira, 22/06, que antecede o de Corpus Christi, o Bar do Rubão, ponto tradicional da boemia na Cidade Velha, oferecerá um motivo a mais para se encher de gente bonita, artistas, jornalistas, escritores e amantes da poesia. Isso porque um grupo de amigos resolveu se reunir e convidar toda a cidade para o relançamento do livro “Boca de Ferro”, de Luiz Carlos França, o último que ele escreveu em vida, antes de nos deixar no dia 30 de junho de 2010.
“É uma alegoria, uma metáfora que eu criei literariamente pra definir meu coração, o motivo maior do meu fazer poético, que é olhar a vida e falar através do coração”. A declaração é de Luiz, em sua última entrevista, publicada no Holofote Virtual.
O nome do livro faz alusão àquela rádio popular representada pelos alto-falantes espalhados pelas ruas, pendurados nos postes. “É um ícone paraense por onde todos os acontecimentos culturais são levados a público. Nas cidades do interior e mesmo na capital. Por isso minha vontade de levar minha poesia através dele”, disse ao jornalista Wanderson Lobato que o entrevistou.
Para Luiz Carlos França, “a poesia não está só nas palavras de um livro, elas devem percorrer as ruas, onde há uma resposta imediata do público”. E foi assim que surgiu a ideia desta obra, lançada em um sarau no dia 10 de junho do ano passado na Casa das Onze Janelas.
Ao ler “Boca de Ferro”, um livro miniatura em sua forma, mas gigante em suas palavras, percebe-se a maturidade maior do poeta. É um livro de despedida, verdades e muitas declarações de amor às pessoas e à cultura popular, com todas as suas cores, e também pela cidade de Belém do Pará, que ele tanto amou.
Por mais irônico que pareça, foi justo este o mês, em que esse colorido mais se manifesta, com seus folguedos e bois bumbás, e que tanto figuraram em seu imaginário poético, que ele escolheu para deixar esta vida, mas não para sempre, pois como todos os poetas verdadeiros, ele se eternizou em seus poemas.
Trajetória Luiz Carlos França é autor também de “Sangrado Coração de Poeta” (2000/2001), “Olhar do Dragão” (2002) e “Poemas de Miriti” (2006). Também foi compositor, ator e diretor de espetáculos. Luiz iniciou sua carreira em 1972 participando do espetáculo “O Coronel Mamcabira”, de Joaquim Cardoso, dirigido por Cláudio Barradas, com música de Waldemar Henrique e produção da Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará.
Como compositor tem parceria com Minni Paulo (Por Inteiro), Pedrinho Cavallero (Velho Camaleão) e Júnior Soares (Lobo do Mar), sendo seu principal parceiro o cantor Eloi Iglesias, com quem recebeu a indicação de Melhor Música por “Embriago-me de Blues” para o Troféu Edgar Proença – Secult – 1993 e, no ano seguinte, recebeu prêmio no II Salão de Arte Contemporânea – SPAC – pela performance “Papa Chibé”.
Luiz Carlos França era muito querido no meio artístico. Desde que a notícia do relançamento de “Boca de Ferro” começou a ser divulgada, na semana passada, no Facebook, inúmeras manifestações de carinho foram demonstradas ao poeta. E na quarta-feira, estas irão vibrar muito mais alto. Não faltem!
SERVIÇO:
Relançamento do livro Boca de Ferro, de Luiz Carlos França
Data: 22 de junho
Horário: a partir das 20h
Local: Bar do Rubão (Rua Gurupá, 312 - entre a Rua Rodrigo dos Santos e a Rua Cametá - Cidade Velha)
Poesia moderna surrealista, delírios, Amor, paixão,viagens astrais, poesia, poemas,borboletas, voos,
terça-feira, 21 de junho de 2011
A poesia de Luiz Carlos França
Isto também passará
Esta é uma grande estória, grande porque tem sido usada por séculos pelos Sufis. E esta estória ajudou muita gente a chegar à Iluminação. Não é uma estória comum; ela é aquilo que chamo de arte objetiva. É um instrumento; não só para a leitura e para o entretenimento, mas algo que deve se tornar seu próprio estilo de vida,e só então é que você poderá chegar a compreender seu significado.(...)
“Mas se você quiser realmente entender a estória, terá que vivê-la. Terá que vivê-la — só então chegará a entender o que ela significa”.
Osho, em "Antes Que Você Morra"
“Mas se você quiser realmente entender a estória, terá que vivê-la. Terá que vivê-la — só então chegará a entender o que ela significa”.
Osho, em "Antes Que Você Morra"
segunda-feira, 20 de junho de 2011
"Matiz de Sentimentos"
"Um fim de mar colore os horizontes,
você matiza de cores os meus sentimentos"
Eu e manoel de Barros
você matiza de cores os meus sentimentos"
Eu e manoel de Barros
"Se meu coração pudesse"
Se meu coração pudesse...
queria voar a leme,
pra te pegar sorrindo e me trazer o prazer do seu sorriso"
queria voar a leme,
pra te pegar sorrindo e me trazer o prazer do seu sorriso"
domingo, 29 de maio de 2011
Porta fechada

Porta fechada,
deito-me no silêncio.
prazer da solidão.
Vou até às cerejeiras
Dormir sob seus capulhos,
sem deveres.
Fernando Pessoa
deito-me no silêncio.
prazer da solidão.
Vou até às cerejeiras
Dormir sob seus capulhos,
sem deveres.
Fernando Pessoa
Palavras de sabedoria de Osório Barbosa
“O silêncio e o tempo são dois mudos que falam”.
http://blogdoosoriobarbosa.blogspot.com/
http://blogdoosoriobarbosa.blogspot.com/
Penso

O haicai pode conter uma argumantação, mas esta é reduzida ao mínimo e se refere apenas à percepçãodo concreto:
As flores caídas
retornam aos meus ramos.
Mas não!São borboletas.
Fernadno Pessoa
Poesia é descoberta das coisas que eu nunca vi.
Osvaldo de Andrade
Eu queria ser banhado por um rio como um sitio é.
Como as árvores são.
Como as pedras são.
Eu fosse inventado de ter uma garça e outros pássaros em minhas árvores.
Eu fosse inventadocomo as pedrinhas e as rãs em minhas areias.
Eu escorresse desembestado sobre as grotas e pelos cerrados como os rios.
Sem conhecer nem os rios como os andarilhos.
Livre, livre é quem não tem rumo.
Invento para me conhecer.
Eu só faço travessuras com palavras.
Eu só façotravessuras com as palavras.
Não sei nem pular quanto mais obstáculos.
Como as árvores são.
Como as pedras são.
Eu fosse inventado de ter uma garça e outros pássaros em minhas árvores.
Eu fosse inventadocomo as pedrinhas e as rãs em minhas areias.
Eu escorresse desembestado sobre as grotas e pelos cerrados como os rios.
Sem conhecer nem os rios como os andarilhos.
Livre, livre é quem não tem rumo.
Invento para me conhecer.
Eu só faço travessuras com palavras.
Eu só façotravessuras com as palavras.
Não sei nem pular quanto mais obstáculos.
Manoel de Barros
segunda-feira, 16 de maio de 2011
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade.
Carlos Drummond de AndradeCARLOS DRUMOND DE ANDRADE
Perder tempo em aprender coisas que não interessam, priva-nos de descobrir coisas interessantes.
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