segunda-feira, 9 de março de 2009

Confissão


esperando pela morte
como um gato
que vai pular
na cama

sinto muita pena de
minha mulher

ela vai ver este
corpo
rijo e
branco

vai sacudi-lo e
talvez
sacudi-lo de novo:

“Henry!”

e Henry não vai
responder.

não é minha morte que me
preocupa, é minha mulher
deixada sozinha com este monte
de coisa
nenhuma.

no entanto,
eu quero que ela
saiba
que dormir
todas as noites
a seu lado

e mesmo as
discussões mais banais
eram coisas
realmente esplêndidas

e as palavras
difíceis
que sempre tive medo de
dizer
podem agora
ser ditas:

eu
te amo.


Um poema de amor

todas as mulheres
todos os beijos delas as
formas variadas como amam e
falam e carecem.

suas orelhas elas todas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

principalmente
as mulheres são muito
quentes elas me lembram a
torrada amanteigada com a manteiga
derretida
nela.

há uma aparência
no olho: elas foram
tomadas, foram
enganadas. não sei mesmo o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro, um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas gostei das camas variadas
lá delas
fumar um cigarro
olhando pro teto. não fui nocivo nem
desonesto. só um
aprendiz.

sei que todas têm pés e cruzam
descalças pelo assoalho
enquanto observo suas tímidas bundas na
penumbra. sei que gostam de mim algumas até
me amam
mas eu amo só umas
poucas.

algumas me dão laranjas e pílulas de vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
malucas mas nenhuma delas é
desprovida de sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre
são as melhores em
outras coisas; todas têm limites como eu tenho
limites e nos aprendemos
rapidamente.


todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos de dormir
os tapetes as
fotos as
cortinas, tudo mais ou menos
como uma igreja só
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto e a
carência me
sustentaram, me
sustentaram.

CHARLES BUKOWSKI

8 comentários:

Victor disse...

Num pulo mágico,
Real como a natureza,
Veio a borboleta da noite
Pela montanha e luar.

Lá além dos montes
Deixou o seu passo,
Reinando no brilho
Da sua flauta a encantar.

Victor

Daniel Savio disse...

Bonito, apesar da parte meio "macabra" de deixar um "corpo" de presente para a mulher...

Hua, kkk, ha, ha, brincadeira com um fundo de maldade.

E feliz dia das mulheres (mesmo que meio atrasado).

Fique com Deus, menina "Borboletas".
Um abraço.

Juan Manuel Rodríguez de Sousa disse...

Hola,

Tienes un blog muy bonito, te felicito,

Este idioma no lo entiendo mucho, pero es bello.

Sólo quería decirte que sinopsisdelarte ya mismo cierra, y como eres seguidora, te aviso, es lo menos que podía hacer.

Ahora, mi nuevo blog es este:
http://rodriguezdesousa.blogspot.com/

Un saludo,
Juanma

tinta permanente disse...

Um epitáfio pode ser, na verdade, um Poema...


abraços!

rui disse...

"Sente o toque das minhas mäos a navegar pelos recantos do teu corpo.

Corpo teu aonde escrevo poemas e te faco Viajar....

Zé Camões disse...

Este blog é um local singular... bom.
Cumrpimentos.

Dinis M. disse...

Blog muito bom
como este não há igual
você tem um belo dom
beijão de Portugal

Marlene Maravilha disse...

Eu gostei bastante, mas gostaria que ele tivesse achado tempo para aprender a dancar!!!!
beijo

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